Medicina avança no tratamento de varizes

Imagem do artigo Medicina avança no tratamento de varizes 28 de janeiro de 2015

A medicina vem se reinventando em várias áreas de atuação. Só na angiologia e cirurgia vascular, diversos avanços foram realizados para o tratamento das varizes. "Antes tratada somente pelo método cirúrgico, a insuficiência da veia safena hoje pode ser abordada por uma gama de possibilidades, cada uma com seus prós e contras", como afirma a angiologista Miriam Takayanagi.

Com o objetivo de evitar as cirurgias venosas, outros métodos foram desenvolvidos pelos profissionais da saúde, objetivando o bem-estar dos pacientes. Miriam Takayanagi conta que a escleroterapia com espuma, a utilização do laser e a radiofrequência são tratamentos eficazes e que estão sendo usados pelos especialistas.

De acordo com a médica, "a cirurgia convencional é o único método que realmente retira a veia. Ou seja, não existe a possibilidade da veia recanalizar e voltar a causar sintomas".

Novos procedimentos

A angiologista acrescenta que, apesar de eficaz, esse tipo de procedimento demanda um pós-operatório mais prolongado (15 dias com as pernas elevadas), com certo grau de edema e desconforto, além dos hematomas.

A escleroterapia com espuma é uma técnica ambulatorial e barata, utilizada preferencialmente em pacientes de alto risco e sem muita preocupação estética, pois muitas vezes a inflamação da veia esclerosada deixa manchas na pele, além de causar desconforto.

A principal ressalva da técnica, segundo Miriam Takayanagi, é a possibilidade de embolia, provocada pela migração da espuma na circulação sanguínea do paciente.

"Outros métodos cirúrgicos, que não removem a veia e por isso são chamados de minimamente invasivos, se baseiam na ablação, ou seja, queimadura da veia com radiofrequência ou laser", destaca Miriam.

Devido à moderna tecnologia são métodos caros, com as vantagens de utilizar incisões menores, menor trauma cirúrgico, menos edema e, portanto, recuperação mais rápida.

A médica explica que "o catéter de radiofrequência permite uma cirurgia mais rápida, mas só pode ser utilizado em veias calibrosas, devido ao seu diâmetro, e não pode ser aplicado em portadores de marcapasso, já que a passagem da corrente elétrica pode danificar o dispositivo".

Por sua vez, o laser não apresenta esse inconveniente, pois se trata de um tipo de luz específico, podendo ser aplicado em varizes menores devido ao pequeno calibre de suas fibras.

Mais novidades

Em 2015, mais novidades serão apresentadas nos Estados Unidos com a promessa de uma cola que fechará a veia varicosa, sem causar a reação inflamatória da espuma, proporcionando menor risco de embolia. O produto encontra-se em estudo, mas os profissionais da área e os pacientes já aguardam a novidade visando bons resultados.

Além das diretrizes para usos de meias de compressão, como tratamento paliativo para varizes, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) elaborou diretrizes para tratamento cirúrgico, comparando o método tradicional, feito com pequenas incisões, com técnicas mais modernas, como laser e radiofreqüência endovenosos. Enquanto na cirurgia tradicional o médico retira as varizes, no laser e na radiofrequência as varizes são eliminadas com o calor, que "queima" a parede e obstrui a veia.

No Sistema Único de Saúde, a cirurgia disponível é a tradicional, mas o angiologista Marcondes Figueiredo prevê que, no máximo em cinco anos, as técnicas mais modernas estarão disponíveis.

Atualmente, os tratamentos com laser ou radiofrequência custam, em média, o dobro da cirurgia convencional. Muitos médicos usam os dois métodos - incisão e laser ou incisão e radiofrequência, o que ajuda a baratear o custo para os pacientes.

Segundo o angiologista José Aderval Aragão, responsável pela Diretriz "Tratamento Cirúrgico das Varizes dos Membros Inferiores", tanto as cirurgias convencionais como o tratamento com laser e radiofrequência melhoram a qualidade de vida dos pacientes.

No caso dos tratamentos mais modernos, o período de repouso pós-operatório é sensivelmente reduzido. Enquanto com o uso de incisões o período indicado de repouso é de 30 dias, no laser e na radiofrequência cai para oito dias.

A pesquisa da SBACV, que levou dois anos, mostra que o tratamento cirúrgico convencional melhora a qualidade de vida dos pacientes em estudos feitos até 24 meses após a operação e o resultado é mais positivo do que apenas o tratamento clínico, que alia dieta, perda de peso, uso de meias elásticas, atividades físicas e medicamentos vasoconstritores.

Ao avaliar o uso de laser e radiofrequência, porém, não há pesquisas médicas suficientes que indiquem que o resultado dos procedimentos sejam tão eficientes no longo prazo quanto a cirurgia tradicional. "Não encontramos pesquisas que avaliem o resultado destes tratamentos por prazos mais longos", explica Aragão.

Fonte: A Tarde